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    (atualizado em)4 min de leituraCarreira

    Você Está Pronto para Viver 100 Anos? A Nova Longevidade e a Carreira

    Descubra como a expectativa de vida de 100 anos está transformando a forma como pensamos carreira, educação e aposentadoria — e por que você precisa se preparar agora.

    WokeEquipe Editorial

    Você provavelmente cresceu vendo nos "100 anos" uma espécie de marco na vida de poucos e bons. Aquela avó do amigo que chegou aos 100 "ainda lúcida". Aquele autor de 102 anos que revelou o segredo para uma vida longa. Esse imaginário coloca a vida de 100 anos muito distante de nós. Mas será mesmo?

    A estatística surpreendente

    No livro The 100-Year-Life – Living and Working in an Age of Longevity, Lynda Gratton e Andrew Scott partem de um fato: nos últimos 200 anos, a expectativa de vida cresceu mais de dois anos a cada década.

    Em outras palavras: se hoje você tem 20 anos, tem 50% de chance de viver mais que 100 anos. Se você tem 40 anos, tem 50% de chance de viver até os 95 anos. Se seu filho estiver nascendo hoje, ele tem 50% de chance de viver mais que 105 anos. (Um século antes, essa chance seria de 1%.)

    A estatística não é a parte mais surpreendente. O chocante é saber que estamos vivendo muito mais que as gerações anteriores, mas seguimos repetindo o mesmo modelo de vida de nossos pais e avós.

    O modelo em três estágios

    A vida em três estágios: primeiro educação, depois carreira, por fim aposentadoria — nessa ordem. Pode parecer teoria, mas toda nossa organização social se baseia nesses três momentos. Essa estrutura é tão enraizada que não parece ser o que de fato é: uma construção social do século XX, o reflexo de uma época que não existe mais.

    Pois se vivemos mais, onde acomodamos nossos anos extras? Simplesmente esticar o modelo antigo gera dois cenários possíveis: uma fase de aposentadoria que se arrasta (e provavelmente não se sustenta financeiramente) ou uma fase de trabalho que mais parece a versão real de O Feitiço do Tempo — não acaba nunca.

    A discussão essencial é como podemos transformar uma vida mais longa em uma vida melhor. Não é o futuro que precisamos repensar, mas o presente. Viver mais não é acrescentar anos no final da vida — é reestruturar nossa existência: educação, carreira, finanças, relacionamentos, saúde.

    A vida em multiestágios

    A proposta de Gratton e Scott substitui a vida em três estágios por uma vida em multiestágios: mais flexível, com variedade de carreiras, breaks e transições.

    Em uma vida mais curta, o que aprendemos aos 20 anos pode durar uma vida inteira de trabalho. Uma vida mais longa pede reinvestimento em educação ao longo da carreira, pausas reais para reaprender. Na vida de 100 anos cabem não só uma, mas duas ou três carreiras diferentes.

    Em uma delas o foco pode ser trabalhar mais e ganhar dinheiro, em outra trabalhar menos e passar tempo com a família, em outra o foco pode ser social. Ninguém mais precisa escolher um ou outro caminho: transições são previstas. "Transitions will become the norm", dizem os autores.

    Consequências na sociedade e no mercado de trabalho

    Essa mudança não afeta só o indivíduo: as consequências na sociedade e no mercado de trabalho são gigantescas. Uma das diferenças mais óbvias é a separação entre idade e estágio de vida.

    Hoje conhecemos o momento de uma pessoa por sua idade: com 18 anos, está começando a faculdade; com 40 anos, tem posição sênior; com 60 anos, está prestes a se aposentar. Na vida em multiestágios, a idade não revela mais do que a quantidade de anos de alguém.

    Iniciantes trintões são bem-vindos. A aposentadoria fica para mais tarde. Saúde ganha prioridade: não adianta viver mais sem ter qualidade de vida. Surgem novas fases de exploração e produção independente. Homens e mulheres se revezam nos ciclos de vida para manter equilíbrio entre família e trabalho.

    Corporações e executivos ganham com um cenário de diversidade, produtividade e aprendizado constante. Assim como a globalização e a tecnologia transformaram nossas vidas, a longevidade também está plantando — nesse exato momento — uma revolução social e econômica.

    A escolha não é fazer parte ou não. A escolha é se preparar para uma vida de múltiplas carreiras, múltiplas transições e reinvenções constantes.

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