Muito mais do que apenas um conjunto de regras e normas, a governança corporativa está totalmente ligada à imagem da companhia no mercado e aos resultados sustentáveis. É o que gera valor a um negócio e ampara a estratégia empresarial.
O que é governança corporativa e por que ela importa
Governança corporativa é o sistema que dirige, monitora e incentiva as organizações, envolvendo relações entre acionistas, conselho, diretoria e stakeholders. Ela define poder, responsabilidades, direitos e recompensas — e diferencia empresas que sobrevivem das que prosperam de forma sustentável. Não é apenas para grandes corporações: startups e PMEs que implementam governança cedo aumentam significativamente suas chances de sucesso.
De forma simples, é um direcionador que guia e orienta a empresa no que diz respeito a poder, responsabilidades, direitos e recompensas, que afetam diretamente a conduta dos stakeholders.
Essas regras envolvem todos os públicos internos — e alguns externos — da empresa, embora os principais atores e responsáveis pela governança sejam o conselho de administração e seus membros, em colaboração com o CEO e os principais integrantes da liderança executiva.
Como a governança cria valor para as empresas
Segundo o IBGC, trata-se de um sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas. A governança cria valor ao negócio respeitando ética, transparência e responsabilidade, alinhando interesses com a finalidade de preservar e otimizar o valor econômico de longo prazo.
Ao contrário do que muitos pensam, a governança deve ser implementada em todas as empresas, até nas pequenas. O que pode acontecer é começar apenas com um conselho consultivo e ir evoluindo de acordo com o crescimento.
Na pandemia, empresas que possuíam governança instalada e funcionando conseguiram entender mais rápido os riscos e encontraram saídas com mais agilidade. São vários os benefícios: sucesso corporativo e crescimento sustentável, boa imagem ao mercado, redução de conflitos entre acionistas, descentralização de decisões e gestão de qualidade.
Quando e como implementar governança em startups
Startups também devem pensar no tema, mas de maneira diferente. Com foco em tecnologia e inovação, e altos níveis de risco e crescimento acelerado, essas empresas têm um estilo diferente de governança que evolui rapidamente.
Um investidor de capital de risco é um acionista e também pode ocupar um assento no conselho, criando status dual. Os participantes das startups são heterogêneos, já que normalmente emitem ações ordinárias para fundadores, opções para funcionários e levantam dinheiro de investidores com termos variados.
É importante pensar na governança de acordo com cada fase do negócio. Na etapa inicial, é importante estruturar papéis e responsabilidades de cada sócio antes mesmo da constituição jurídica. À medida que a empresa cresce e investidores entram, é necessário rever a estrutura.
Assim como empresas tradicionais, startups estão sujeitas à alta taxa de mortalidade nos primeiros anos. A aplicação da governança impulsiona o aproveitamento do capital intelectual, promovendo expansão competitiva e maior valuation. Quanto antes a empresa se preparar, melhor a chance de conquistar a posição de unicórnio.
Os quatro princípios da governança corporativa
Transparência: além da obrigação legal
Consiste no desejo de disponibilizar para as partes interessadas as informações que sejam de seu interesse — não apenas aquelas impostas por leis ou regulamentos. Esses dados não podem se restringir ao desempenho econômico-financeiro e devem contemplar também fatores intangíveis que conduzem à preservação e otimização do valor.
Equidade: tratamento justo para todos os stakeholders
Caracteriza-se pelo tratamento justo e isonômico de todos os sócios e demais stakeholders, levando em consideração seus direitos, deveres, necessidades, interesses e expectativas.
Prestação de contas (accountability)
Os agentes de governança devem prestar contas de sua atuação de modo claro, conciso e compreensível, assumindo integralmente as consequências de seus atos e omissões, atuando com diligência e responsabilidade.
Responsabilidade corporativa
Quem atua com governança deve zelar pela viabilidade econômico-financeira das empresas, reduzir externalidades negativas e aumentar as positivas, levando em consideração os diversos capitais (financeiro, manufaturado, intelectual, humano, social, ambiental, reputacional) no curto, médio e longo prazos.
Qual o papel do conselho de administração
O conselho de administração é a principal ferramenta utilizada pela governança corporativa. Seu papel é ser o elo entre a propriedade e a gestão para orientar e supervisionar a relação da governança com as demais partes interessadas.
Trata-se de um órgão colegiado à disposição da empresa para decisões relacionadas ao direcionamento estratégico. É um guardião dos princípios, valores e sistema de governança da companhia.
Uma das funções é melhorar o relacionamento entre diretoria e sócios. O ideal é contar com um número ímpar de conselheiros (de cinco a onze pessoas), variando de acordo com porte da empresa, estágio de vida no mercado e segmento.
Boas práticas da governança segundo o IBGC
O IBGC lançou uma Agenda Positiva de Governança apoiada em seis pilares:
Ética e integridade
É um imperativo moral — e fator decisivo para continuidade dos negócios — que líderes promovam cultura de integridade, praticando confiança, respeito, empatia e solidariedade.
Diversidade e inclusão
Cultura baseada em diversidade e inclusão é fonte permanente de criatividade e longevidade. Líderes devem agir com urgência para assegurar tratamento justo e oportunidades iguais, sobretudo na promoção de equidade de gênero e raça.
Ambiental e social
A atuação na gestão dos impactos ambientais e sociais deve ir além da agenda institucional. É fundamental integrar essas questões ao modelo de negócio e promover articulação com diversos setores da sociedade, alinhando-se aos princípios do Triple Bottom Line.
Inovação e transformação
A inovação deve ser base de uma visão de futuro que objetiva desenvolvimento sustentado. Líderes devem tomar decisões coerentes com propósito e estratégia, gerenciar riscos e ter disciplina para colher resultados no tempo certo.
Transparência e prestação de contas
Gestores devem promover transparência e prestar contas a partir de diálogo aberto com as diferentes partes interessadas, identificando interesses e expectativas.
Conselhos do futuro
Para atuar como agentes de transformação e catalisadores da adaptabilidade, conselhos devem ser compostos com maior foco em diversidade e competências socioemocionais. Disposição para questionar, ouvir ativamente, respeitar outras visões, ousar, desaprender e reaprender são condições essenciais.
Governança corporativa não é apenas um conjunto de regras — é o que diferencia empresas que sobrevivem das que prosperam de forma sustentável. Implementá-la cedo, mesmo em estágios iniciais, prepara sua organização para escalar com solidez e atrair os melhores talentos e investidores.
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