Mesmo com a pandemia da covid-19 e seus reflexos na economia mundial, o relatório "Global Private Equity Report", realizado pela Bain & Company, mostra que o mercado de private equity se manteve em crescimento, com alta de 8% em comparação aos níveis anteriores.
Segundo o estudo, o Brasil continua como a região mais relevante para investimentos na América Latina, concentrando 78% dos negócios, que totalizaram US$ 7 bilhões.
Entre os setores de maior destaque estão os de finanças, tecnologia e infraestrutura, seguidos por varejo e bens de consumo, além da área da saúde.
Essa modalidade de investimento é destinada a empresas que já têm faturamento, geralmente de médio porte, e que tenham boa capacidade de crescimento.
Muitas vezes, o aporte antecede a entrada desses negócios na bolsa, na qual as ações, valorizadas, podem ser negociadas em condições melhores.
É como um segundo passo do venture capital, que é destinado a startups que estão começando suas operações, empresas com alto potencial de crescimento, mas que ainda estão no início da jornada.
Por dentro do Private Equity
A modalidade surgiu nos Estados Unidos por volta dos anos 1980 e tem o objetivo de alavancar os resultados para aumentar o valor da companhia.
Segundo definição da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCap), trata-se de um tipo de investimento que envolve a participação em empresas com alto potencial de crescimento e rentabilidade.
E acontecem por meio da aquisição de ações ou de outros valores mobiliários, como debêntures conversíveis e bônus de subscrição, com a meta de obter ganhos expressivos de capital a médio e longo prazos.
"Com o Private Equity, empresas que pretendem se transformar em grandes companhias, passam a dispor de oportunidades adequadas para financiar o seu crescimento, com apoio para a criação de estruturas de governança corporativa, foco no crescimento e lucratividade, além de sustentabilidade futura do negócio", explica Marcelo Tommasi, diretor de finanças corporativas da Crowe.
A pesquisa "Atraindo Investimentos de Private Equity", desenvolvida pela Ártica e pelo Centro de Finanças do Insper, mostra o que as gestoras mais valorizam em suas avaliações:
- Crescimento constante e alta rentabilidade
- Informações gerenciais confiáveis e bem organizadas
- Potencial de crescimento orgânico e reputação do empresário
- Monitoramento de KPIs como prática gerencial fundamental
- Baixa informalidade na receita
Os benefícios do Private Equity para empresas
Além dos recursos financeiros, a empresa contará com o chamado smart money, expressão para descrever que os investidores não irão aportar somente capital, mas também sua experiência em gestão.
Eles vão transferir conhecimento e as melhores práticas para a criação e melhoria de governança corporativa, planejamento estratégico, acesso a tecnologia de outras empresas investidas, além de maior exposição ao mercado de capitais.
Isso sem falar que podem contribuir com insights importantes sobre o modelo de negócio, complementar o time com conhecimento em uma área crucial para a empresa, e ajudar com o networking que possuem.
Veja mais vantagens:
- Maximização de valor (gestores têm elevada experiência e atuam na administração)
- Aumento da credibilidade e melhora da imagem institucional
- Sustentabilidade futura do negócio
- Abertura de portas para um relacionamento qualificado no mercado
- Aumento da competitividade para enfrentar o mercado global
Etapas do processo de captação de Private Equity
O processo de Private Equity se dá por três fases:
1. Oferta indicativa
Esta é a fase que ocorre após a interação inicial com apresentações mútuas e troca de informações, que podem durar semanas ou meses.
O investidor apresenta uma proposta indicativa com a participação e o valor a ser desembolsado para comprar a participação na empresa-alvo.
2. Diligência
Caso a proposta seja aceita pela empresa, acontece um processo de escrutínio mais aprofundado, envolvendo análise de demonstrações financeiras, questões tributárias, fiscais, trabalhistas, jurídicas, regulatórias e ambientais.
O foco é a confirmação de informações compartilhadas na fase inicial e a identificação de potenciais riscos não divulgados ou conhecidos.
3. Negociação final de contratos
Onde há a formalização de toda a negociação prévia em contratos detalhados, como o Acordo de Investimento (estrutura da transação) e o Acordo de cotistas/acionistas (regras de convívio entre fundadores e investidores).
Trata-se de um processo bem detalhado e estruturado, feito com rigor e diligência pelo gestor de fundos de investimento. Por isso, tende a demorar de 6 a 12 meses para ser concluído.
Diferente do Venture Capital, Private Equity está mais destinado a negócios maduros e consolidados, com crescimento exponencial, em mercados ou indústrias mais tradicionais.
Para que o processo seja benéfico, é essencial fazer uma profunda reflexão: "Tenho ambição para promover um crescimento elevado na minha empresa?" e "Estou disposto a vender uma parte do meu negócio para um investidor, tornando-o sócio?".
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